Dirofilariose: como pode algo tão pequeno causar danos tão grandes?


A dirofilariose é uma patologia provocada por um parasita – Dirofilaria immitis – que se aloja no coração dos nossos animais de estimação. Os cães são os principais reservatórios no ciclo deste parasita, que é transmitido através de picada de um mosquito. Então, como pode um parasita microscópio ser tão problemático para os nossos melhores amigos?

O Ciclo de vida

Este parasita necessita de um mosquito e de um cão para completar o seu ciclo.

Se um mosquito fêmea picar (sabias que só os mosquitos fêmeas é que são capazes de nos picar? bem, mas esse assunto fica para outro post), um cão infectado (com o intuito de se alimentar do seu sangue) vai ingerir o parasita no primeiro estadio larvar (L1), também denominado de microfilárias. Estas entram na corrente sanguínea do mosquito e, em condições ideais, desenvolvem-se ao longo de três estádios (L1-L2-L3).

Esse mosquito ao alimentar-se posteriormente de outro cão, inocula o parasita (em estadio L3) no tecido subcutâneo do cão, onde se vai desenvolver (para L4) e posteriormente entrar na corrente sanguínea (mudando para L5). Através da corrente sanguínea vai-se dirigir até as artérias pulmonares. Nessas artérias, desenvolvem-se durante cerca de 7 meses, até à fase adulta. Posteriormente, as fêmeas-adulto dão origem a novas microfilárias que vão novamente circular na corrente sanguínea até um novo mosquito picar e se infetar novamente.

Esta não é a única maneira se haver transmissão do parasita. Já há estudos que indicam que existe transmissão transplacentária, ou seja, a mãe passa para os cachorros durante a gestação.




Que problemas pode trazer ao meu cão?

São principalmente problemas cardíacos, que podem ser traduzidos em cansaço, tosse, perda de peso, dificuldades respiratórias e até mesmo desmaios. Como os parasitas adultos vivem nas artérias pulmonares, acabam por causar danos nas mesmas. Isto vai causar uma diminuição do volume sanguíneo que irá levar a hipertensão pulmonar que, por sua vez, leva a acumulação de líquidos. Eventualmente estes parasitas acabam por chegar ao ventrículo e aurícula direita, acabando por interferir na função valvular, resultando em insuficiência cardíaca. Existem outros órgãos que podem ser afetados pela dirofilariose, como o rim e o fígado. Por isso, os nossos animais podem mostrar sintomas compatíveis com doença renal e hepática.


Se não for instituído tratamento o cão pode mesmo morrer ou ficar com sequelas irreversíveis.


Como se diagnostica?

Existem várias maneiras de diagnosticar um cão com dirofilariose. Pode ser recolhido uma amostra de sangue para observação de microfilárias ao microscópio ou para detetar a presença de antigénios.

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Podem também ser realizados exames imagiológicos como uma radiografia tóracica para avaliar as extensões das lesões. Ecocardiografia é também uma opção viável para classificar a hipertensão ou alterações cardíacas que possam existir. Por vezes é mesmo possível a visualização dos parasitas adultos!


Neste vídeo podemos ver ao microscópio, numa gota de sangue, duas microfilárias a tentarem movimentar-se entre os glóbulos vermelhos.


Existe tratamento?


O tratamento para este parasita é dividio em duas fases: a primeira é focada em eliminar as dirofilárias adultas; a segunda tem como objectivo eliminar as microfilárias para evitar que o ciclo se repita. Este tratamento é dispendioso, acarreta riscos para o animal e pode demorar até 4 meses. Em casos que o animal já exiba sintomatologia acentuada, este deve ficar internado durante o tratamento e o seu prognóstico é reservado.


Como posso prevenir?

A prevenção é a melhor opção. Existem várias maneiras de prevenção:

- Guardian (moxidectina) - injectável subcutâneo (como uma vacina), protege durante um ano e pode ser administrado em cadelas gestantes.

- Milbemicina oxima - comprimido que deve ser administrado mensalmente com o intuito de destruir as microfilárias não permitindo que o ciclo se complete.


Em zonas endémicas, devem também ser utilizados repelentes, principalmente nas alturas mais ativas do ciclo (primavera e verão).

Existem diferentes pipetas que funcionam como repelentes, deves ter em atenção quais são aquelas que realmente têm efeito repelente contra os mosquitos. Podes também optar por repelentes naturais (dá um salto à nossa loja!) especialmente em alturas menos ativas.

Deves também evitar passeios ao amanhecer e ao anoitecer (altura que os mosquitos estão mais ativos) e evitar zonas perto de rios ou águas paradas.


Se tens dúvidas no protocolo de desparasitação que fazes para o teu melhor amigo, entra em contacto connosco!


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